“Hoje os jogadores são "boyzinhos", não batem de
frente com juiz, com o próprio companheiro. Erram e aplaudem. Não têm coragem
de xingar, de dar um esporro. Antigamente discutíamos, queríamos sair na
porrada em campo para ganhar. Hoje não tem isso. Os jogadores são mimadinhos,
usam fone no ouvido, gelzinho... Mudou bastante. Nós nos rebelávamos, batíamos
de frente por bem, para ganhar. Hoje não tem isso. Fico chateado porque passam
a mão na cabeça. Acabou a vontade de estar no campo, de querer ganhar. Tem que
se cobrar mais dentro de campo. Era bom. Falávamos que íamos deitar e rolar, e
o outro time respondia. Aquela rixa sadia, que vai para o campo, mas no fim do
jogo todos se abraçam. Acabou esse negócio. Promovíamos o jogo, acabou a
rivalidade. Ficamos tristes porque era bom, zoava durante a semana, falava que
o time era fraco, perguntava: Quem é fulano? Nunca ouvi falar nele.”
Uso o comentário do
ex-meia Beto, para quem não lembra marcante no Flamengo, Botafogo, Fluminense e
Seleção Brasileira, jogador de força e técnica. Obrigado, Beto. Sua versão já
economizou 80% do que eu ia dizer. O que Beto se referiu é a raiz do problema. Por
quê? Porque formam dirigentes fracos, sem identidade com o futebol, que por sua
vez dirigem observadores fracos, jogadores mal formados, cheios de vícios, que
somados formam equipes abaixo do bom nível técnico que ainda vimos na época do
Beto.
Portanto, não adianta
culpar só a Federação e os organizadores. Os clubes esculhambaram com um Campeonato
charmoso, cheio de rivalidade e famoso nos quatro cantos do mundo, com públicos
imbatíveis. Não adianta agora jogar lenha na fogueira ou tentar se justificar
como fizeram Flamengo e Fluminense. Querem o ingresso a quanto? Querem que o
torcedor pague 80 pra assistir Flamengo X Boa Vista ou 100 para ver Fluminense
X Friburguense?
Do lado da Federação os
resquícios do Caixa D’água e da conivência com empresários nocivos ligados a
clubes, Federações, empresas esportivas, gente famosa, que trabalhou inclusive
em Copa do Mundo, denegrindo e maltratando mais ainda a imagem do que foi um
grande campeonato. E com tudo isso, mesmo assim não sou a favor de sua
extinção. Preferem o quê? Assistir Corinthians X Barcelona de Guayaquil? São
Paulo X Once Caldas? O nível da Libertadores é pavoroso também. E essa
competição inchada e hoje vagabunda só da público lá pro final.
Já dei uma sugestão, há
algum tempo, sobre o Estadual em matéria de formato. Que haja o Carioca, com 8
times, digamos: Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Bangu, América,
Madureira e Olaria, em uma chave A, jogando entre si. Turno e returno. O campeão
assegura a Taça Guanabara, o vice e o terceiro colocado, assim como o campeão,
o direito a um quadrangular final com o campeão do interior, sem direito a
segunda equipe devido ao melhor nível do grupo A e um apelo inequívoco maior
das equipes deste grupo. O grupo B seria formado, digamos, por: Americano,
Macaé, Boa Vista, Resende, Friburguense, Nova Iguaçu, Volta Redonda e
Cabofriense. Isso seria apenas um passo. Os demais dependem do profissionalismo
e qualidade dos clubes envolvidos e as reais intenções da FERJ e da TV. Pois
não há locutor ou comentarista que faça de um Tigres uma atração estadual. Nem
ungido.
O resto já tomamos
conhecimento antes do início do Estadual ontem. Poucos reforços e a perspectiva
de mais um Estadual furado. Talvez quem se amarre em um UFC se distraia pelas
ruas assistindo ao que já sabemos que vamos assistir entre as torcidas. Sem
falta.
Uma boa semana e um
prazer revê-los!
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