Comentando
tudo junto e misturado: Seleção Brasileira, Brasileirão, Libertadores etc.
Acho
uma boa falar sobre o tal “paredão”, as tais retrancas intransponíveis no
futebol. Aquelas bem cabeludas, que técnicos como Zagallo se referiam, muitas vezes
até de forma hilária, porque reclamar de uma Seleção ou um time de pouca expressão
jogar só se defendendo e pouco arriscando, é chover no molhado. É um recurso. E
cabe exclusivamente ao treinador e ao nível de inteligência, independência e
conhecimento de seus jogadores.
Nesta
rodada do Campeonato Brasileiro destaco dois bons exemplos: o primeiro e mais
complicado, que derrubou o Fluminense do 1º para o 5º lugar no jogo de sábado,
frente ao Vitória. E o outro entre Chapecoense e Corinthians que, aliás, teve
uma boa diferença em relação ao jogo do Fluminense porque o Chapecoense jogou
menos fechado que o Vitória e o jogo era na sua casa. Mas, as dificuldades
aconteceram. O Corinthians tinha mais volume de jogo, tocava melhor a bola e
desde o começo fez maior pressão sobre o time da casa. Mas, se não é uma bola
espirrada para a finalização do centro avante Guerrero já nos minutos finais do
jogo, a tendência era ficar por aí no 0 x 0.
Ney
Franco no sábado exigiu até que o desajeitado Souza voltasse ao campo do Vitória,
acompanhando as pontadas ora de Conca ora de Jean. O Vitória além de exercer
marcação cerrada, raras vezes saiu de seu campo com mais de três ou quatro
jogadores. E não adianta aquele papo de resultado justo ou injusto. Foi a forma
encontrada de neutralizar o adversário. Retranca depois da Copa de 70 se viam
aos montes. Nas estatísticas o que você
encontra de 0 x 0 e zebras, não está no gibi.
E
revirando o misturado, vamos à Seleção Brasileira, que deve encontrar essa
rocha em seu caminho. Estamos preparados para ela? Acho que não. A Copa das
Confederações não deu uma ideia precisa sobre o problema. Por ser uma
competição mais aberta e de menor compromisso, ninguém abusou de retranca, cera
ou antijogo. Ocorre que Copa do Mundo é Copa do Mundo. E se a Seleção estando
por cima ou por baixo é temida lá fora, imagine aqui.
Mas,
a maior preocupação fica por conta da pergunta: - “E aí, companheiro? Como
vamos resolver o problema?” Eu vou responder, em primeiro, o que não fazer para
resolver o problema, que é o que mais assisto: partir com tudo desde o início,
impor um ritmo pra lá de veloz, sempre tocar de primeira, alçar bolas na área,
além de cavar faltas próximo a ela. Nem precisa alertar para a insistente
tentativa de furar a retranca pelo meio. Não temos mais meias e atacantes
ofensivos para fazê-lo. Se alguns treinadores pedem para o time ter calma,
lembrando que o jogo tem 90 minutos, raras vezes isso dá resultado. É pouco. O
desespero sempre aparece quando a bola custa a entrar. Isso quando não acontece
coisa pior, como tentar chegar às redes de qualquer jeito. A bola é meio
temperamental e não aceita ser tratada de qualquer jeito.
E
o antídoto: primeiro você tem que ter faro, sensibilidade e conhecimento de
perceber a situação do seu adversário, sua escola, o estilo, o local de jogo,
enfim, o panorama geral. Prevendo alguma coisa você já se prepara. E não vai
culpar a falta de tempo no caso. Depois, dentro do próprio treinamento,
acostumar os jogadores a encontrar situações de ferrolho absoluto, sem perder o
objetivo e o poder. Não adianta brigar contra o relógio. Quem gosta de avançar os
ponteiros é o locutor e por tabela o nervosismo da torcida. Por falar em
torcida também fazer a cabeça pra ficar imune à pressão que ela vai exercer. Se
você sentir o peso, já era. O básico, que é movimentar-se com rapidez,
controlar os nervos e não perder a concentração, acho que já faz parte. O
problema é que não é posto em prática na maioria das vezes. Movimentação, às
vezes, vira correria desenfreada, vira desespero e desespero em futebol é a
pior coisa que existe. Já a melhor coisa que existe é você tentar criar, ousar
e driblar. E nada disso, meu amigo, pode ser considerado irresponsabilidade ou
salto alto. Desde o início de nossa história no futebol, o nosso maior trunfo e
abridor de latas foi a finta, o drible, a criatividade, a cintura, a bola no
chão. É disso que nossos adversários têm horror. É deste tipo de atitude num
time de futebol que quase sempre não há retranca que resista.
Que
estejamos prontos para elas!
Bom
começo de mês, pessoal!
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